O porquê de Fragmentário


Um diário é um conjunto de apontamentos que se apontam dia a dia - desses não tenho, por isso não escrevo diários -, de soluços aos solavancos, fruto das horas mortas e dos momentos inadequados do não sentir. Por isso, “Fragmentário”. Onde o navio? Sem navio...



sexta-feira, 11 de abril de 2008

A cidade branca...

“... Lembro-me. Ciclicamente lembro-me. Neste quarto pequeno onde me esqueço, reinvento o futuro que não haverá e acabo sempre por retornar a esses tempos idos naquela cidade enlouquecida.
Lisboa cidade branca, Lisboa cidade velha, Lisboa cidade à deriva. Cidade de fantasia…”

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Principe Real

Conheço um Príncipe. A sério. Não, não é Sírio. Nem é Grego tão pouco. Nem sequer é de linhagem aristocrática mas é Príncipe.” De que vale um Rei sem reinado? Sim que reinado sem Rei pode haver num intervalo”. Real. Príncipe Real. Tão real como a esplanada que o habita. Ilusório o Príncipe...
Oh, no tempo em que havia Caravelas Reais. Só Caravelas Reais. E eu a fingir...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Luz e trevas

A minha alegria quando penso em ti é uma alegria infantil, iniciática, virgem. Uma alegria boreal, primaveril, fantasista, porque...
Luzes, archotes, relâmpagos. Apagam-se os alambiques, queimado o álcool, ribomba o anunciado trovão. Tudo às escuras. Vou-me embora, tenho medo.
Na volta da maré vou-me embora, enfim soltas as amarras, olhar atento, peito firme, a cabeça cheia dos acordeões de antigamente.
Tristes carapaças de nós mesmos, amarrotados cartões de visita, que outra coisa não somos, antes de reentrar no caixilho.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A ponte...

Promessas veladas

Sombras prometidas as do oásis ali ao lado no Jardim Botânico. Promessas veladas as da Drª quando me olha, aquando do intervalo - pausa para café -, a meio da tarde, só porque ainda ontem trocámos beijos de fugida no escritório.
Sinal fechado. Tempo de esperar um pouco.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A minha amada

A minha amada oferece-se-me, linda, como uma flor na primavera e eu só anseio sorver o seu pólen sobretudo quando está a florir. Amo-a mais que a qualquer outra flor, á minha amada, e ela fica bem feliz por ser assim.
O seu sorriso é um bálsamo para mim e encerra sempre grandes promessas de amor;
Os seus olhos são mais transparentes que espelhos de água e fazem lembrar verdes prados espraiados á espera do Verão;
Os seus cabelos são negros como carvão mas o seu roçagar queima como incandescentes tições;
Os seus braços são como tentáculos de polvo e as suas pernas são como estiletes de marfim;
Os seus seios pequenos são rijos como romãs e o seu ventre é quente e fecundo como húmus.
Assim é a minha amada.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Lunch time

Pardais saltitantes de mesa em mesa roubando as migalhas ou as descuidadas moscas, enquanto as gaivotas do alto do candeeiro vigiam, papo cheio!
E as pombas, as desinibidas pombas - outrora brancas, perdida a mácula -, ansiando vorazes a chegada da velha doida que as perfilha! Chegado por fim o som do tilintar do milho sobre o basalto da praça da Figueira.